SORVETE O DOCE SABOR DO DESAFIO!!!


Nunca se discutiu tanto o mercado de sorvetes como agora. Todos sabem que precisam “botar a mão na massa”, melhorar a qualidade e se unir se quiserem conferir status de Primeiro Mundo a uma categoria que ainda não deslanchou em um país de clima tropical e uma riqueza em frutas naturais, como em poucos lugares do planeta.

É, sem dúvidas, um paradoxo. Com frutas em abundância e um dos melhores climas para a venda de sorvetes do mundo, o Brasil exibe, no entanto, um dos mais baixos consumos per capita na categoria: pouco mais de 3 litros. Perde feio até mesmo para a ainda combalida Argentina, com quase 9 litros. Num mercado ainda dominado por Nestlé e Kibon, cerca de dez mil empresas, a maioria micro e pequenas (três mil apenas em São Paulo), tiram uma casquinha de um filão estimado em R$ 2 bilhões/ano – e como tiram, afinal, as duas multinacionais já chegaram a exibir portentosos 95% de participação, mas desde o final dos anos 90 estacionaram nos 60%.

Praticamente congelado nos últimos cinco anos, o setor quer dobrar o consumo per capita até 2009 e tem diante de si o desafio de quebrar a forte sazonalidade que insiste em ditar o ritmo da demanda – mais da metade dos volumes do ano é consumida entre outubro e meados de abril. O ano de 2005 foi o típico exemplo do que acontece quando o clima não colabora: chuva intensa no verão e inverno rigoroso e prolongado fizeram despencar as vendas em 7,88% entre janeiro e outubro, sobre igual período de 2003, segundo a Abia (Associação Brasileira da Indústria da Alimentação).

“Em 2005, o setor tinha tudo para crescer devido à recuperação da renda, mas o clima foi desastroso”, avalia Amílcar Lacerda de Almeida, gerente do departamento de economia e estatística da Abia. “Neste ano, um bom clima conjugado com o aumento da renda permitirão ao setor recuperar as perdas dos últimos dois anos”, aposta ele.

Leonardo Ribeiro Cunha, sócio-diretor da TarumãA verdade é que nunca se discutiu tanto o porquê da forte sazonalidade da categoria. Mito e renda são os vilões mais citados. Leonardo Ribeiro Cunha, sócio-diretor da Produtos Tarumã, lembra que em 1995, auge do Real, produzia no limite e não dava conta de atender a demanda. “De lá pra cá, o poder de compra encolheu de 40% a 50%. Joseane Leone, gerente de Marketing da Duas Rodas Industrial, concorda: “Temos 75% da população brasileira nas classes C, D e E ainda lutando para colocar outros elementos na cesta básica, restando pouca renda para o consumo de sorvete.”

O presidente da Abis (Associação Brasileira da Indústria do Sorvete), Eduardo Weisberg, aponta outro fator que influencia o consumo. “Crescemos ouvindo que sorvete faz mal à saúde, que está associado a gripes e resfriados e não deve ser tomado no frio. Mas, por que, ao operar amídalas, o paciente é aconselhado a tomar gelado?”

Para Walter Fioretto, gerente comercial da Caramba, o maior problema é cultural. “Nos países mais gelados se consome de cinco a sete vezes mais e é comum a substituição do almoço por um sorvete. Aqui impera a cultura da sobremesa.”

Flávia Porto Copelli, gerente de marketing da Kerry do Brasil, endossa: “No Brasil, o sorvete é considerado fun, não nutritivo; é uma recompensa que os pais dão aos filhos por boas atitudes, e é fortemente associado a sol e calor.”

Vale lembrar, todavia, que a própria indústria insiste em incutir a cultura da sazonalidade, ao reservar inovações e todo o esforço de marketing para o verão. Por falar em marketing, Flávia sugere mais criatividade no perfil do produto e na divulgação, com demonstrações variadas de cenas de consumo em ambientações e climas diversos. “As ações de merchandising televisivas são uma grande vitrine. Já imaginou em uma novela uma cena de consumo de sorvete por uma família num clima frio e chuvoso de inverno?”

Para Paulo Sergio de Checchi, gerente de vendas da Box Color, fornecedora de embalagens, o grande desafio do setor é mesmo marketing. “Estamos bem em tecnologia de produção, insumos e preços. Falta mais investimento em comunicação dirigida à nova geração, mostrando que o sorvete é uma rica fonte de nutrição para consumo o ano inteiro.”

Qualidade em xeque

A questão da qualidade também entra em pauta. E é polêmica. Enquanto muitos insistem que no Brasil não tem pra ninguém, outros colocam em xeque o nível dos sorvetes aqui produzidos. E não estamos falando apenas do tradicional copão a um real. João Der Torossian, diretor-sócio da Torogel, não poupa críticas ao “artesanal”: Num país riquíssimo em frutas, matéria-prima de primeiríssima qualidade, a maioria dos sorveteiros que se dizem artesanais usa corantes, pós-saborizantes, aromas, reforçadores químicos de sabor ou excesso de emulsificantes para dobrar volume.

No Brasil, normalmente um sorvete que pesa 1 quilo possui 2 litros em volume; no conceito artesanal, deveria pesar 1 quilo e ter no máximo 1.250 ml de volume, com 25% de ar na composição. Some-se a isso o fato de que grande parte dos sorveteiros artesanais não pasteuriza o sorvete. Para supri-los, o setor industrial acaba fornecendo estabilizantes a frio, gerando estagnação do processo de desenvolvimento da verdadeira cultura artesanal.

O próprio Torossian explica: o surgimento do sorvete no Brasil foi inverso ao da Itália. Lá, o artesanal surgiu primeiro; o industrial surgiu depois, tentando copiar o modelo artesanal. Aqui, aconteceu o inverso, com o artesanal tentando absorver a cultura do industrial. Torossian acha que agora a mentalidade começa a mudar. “Há sorveteiros descobrindo que fazer sorvete de morango com o próprio morango ou espremer o limão é muito melhor do que usar pó sabor morango ou sabor limão, pois agrega valor, qualidade e com preços compatíveis. É assim na Argentina, no Chile, na Alemanha. O Chile descobriu isso há 18 anos graças a um brasileiro, sócio na Gelateria Bravíssimo, e registra consumo per capita de 12 litros. Lá, o filão artesanal é maior do que o industrial.”

Mais criatividade

Independentemente do nicho, quem vai ao exterior sabe que nosso sorvete deve em criatividade. Para Flávia, da Kerry, a diferença está nas formas, inclusões e embalagens. “Lá fora há multi-embalagens de picolés, mini-cones, taças, ou mesmo o uso destas para vendas de 3 ou 4 tipos de picolés, uma opção ideal para famílias em que cada um possui gosto distinto, ou mesmo para quem mora sozinho e quer algo diferente todos os dias.” Ela sugere novos formatos, novas combinações, a união de dois produtos preferidos do consumidor, como sorvete no recheio entre dois biscoitos com cobertura sabor chocolate; picolés em formatos e cores inusitadas; embalagens com apelos infantis, como o pote rosa para a menina e o azul para o menino, e versões enriquecidas para a terceira idade. “O que importa é saber ouvir e interpretar os desejos dos clientes. Um bate-papo informal no balcão de uma sorveteria pode trazer idéias incríveis”, ensina.

A gerente da Kerry destaca como inovações locais o Skimo, Pastas, Crocantes, Nuggets (partículas de cor e sabor) etc. Mas a grande tendência é o foco no consumo em casa (take-home). Ela destaca, ainda, que na Alemanha um mesmo sabor é encontrado em diferentes formas (potes, cones, picolés etc.), enquanto a China é um grande mercado de picolés em formas e sabores diferenciados. “A Coréia do Sul prima pela diversificação na inclusão de nuggets de frutas – apreciação das frutas tropicais. A Tailândia, por sua vez, explora bem o apelo de personagens infantis. Já nos EUA, são fortes os conceitos Food Plus ou Low Fat”, enumera Flávia.

Por aqui, a Kibon lança o Kibon Magnum Alfajor, primeiro da marca a mesclar sorvete, biscoito e cobertura de chocolate. Vem no sabor de doce de leite, coberto com biscoitos e envolto em cobertura do chocolate da marca Magnum. Com o conceito “Entre em Alfa”, o lançamento vem do Chile e é vendido em edição limitada nos Estados de São Paulo e Rio.

Na opinião de Joseane, da Duas Rodas, a despeito do baixo poder aquisitivo, o Brasil acompanha bem as principais tendências do mundo dos sorvetes. “A conveniência só aumenta e cada vez surgem mais alternativas de consumo para diferentes ocasiões, com variações em tamanhos e formas.” No seu entender, a influência das crianças na compra dos pais resultará em mais produtos posicionados para elas, com adereços de forma, licenciamentos, personagens e sabores especialmente formulados. “Outra grande tendência é agregar valor nutricional, reforçando o aspecto saudável, outra preocupação dos pais.”

Para jovens, mulheres, adultos e idosos já surgem blends mais sofisticados ou opções com soja, de baixo valor calórico ou isentas de gordura e açúcar, além da presença de frutas mais evidente.

Nesse conceito, a Duas Rodas lançou há dois anos o Soya Ice, primeiro mix à base de soja, sem lactose e colesterol, que lhe rendeu o prêmio de Ingrediente Alimentício mais Inovador em 2003. Joseane destaca, ainda, o Gelé, mix para elaboração de picolé que forma uma espécie de gelatina antes de derreter na boca, e as coberturas que mantêm textura cremosa mesmo em temperatura de congelamento, para rechear e mesclar sorvetes.

Custos barram avanço

Pequenas empresas vêm como empecilho para essa maior diversidade a questão do custo – não do sorvete, mas da embalagem. “No business do sorvete se ganham centavos. Em um pote, 80% do preço estão na embalagem, logística e mão-de-obra. Somente 20% é custo do sorvete. Quanto menos sorvete na embalagem, mais caras a logística e a embalagem. E ainda temos o ICMS, muito alto para um alimento, e a informalidade, que permite vender um picolé a 50 centavos. A maior venda é informal e isso pesa bastante, exigindo de quem paga impostos investir em eficiência, administração enxuta e inovações.”

Informalidade que pesa também no setor de embalagens, especialmente no papelão com revestimento em cartão plastificado. “A preocupação com a qualidade aí é grande, pois existe uma infinidade de empresas incapazes de oferecer garantia de origem do material utilizado, bem como o mínimo de higienização”, diz Checchi, da Box Color. E falta ao setor de caixas de papelão para sorvetes de massas padronização no que diz respeito à qualidade. É grande a diversificação de materiais usados para a fabricação das mesmas. “Nossa última novidade para sorvete de massa é uma embalagem não estanque, que oferece resistência ao empilhamento, baixo índice de abaulamento, aproveitamento quase total do produto embalado e acabamento perfeito”, assegura.

Regionais sem crise

A despeito de custos altos e margens baixas (queda de 50% nos últimos anos, dizem), muitas conquistaram mercado. Com duas fábricas de soft e uma terceira de massas, a Caramba faturou 27% mais em 2004. Produzida desde 1999, a versão soft responde por 70% das vendas e cresceu à ordem de 30% ao ano no último triênio, contra cerca de 6% da linha de massas – artesanal e industrial (perto de 3 mil litros/ hora). Fundada em 1966 e forte no Sul e Sudeste, a empresa dobrou o número de franquias em 2004 para 60, e produz para redes de supermercados. Para 2005, espera crescer 15%, tendo como grandes impulsionadores novos sabores na linha e os grandes lançamentos de 2004: a calda de sorvete com pedaços de frutas.

Nelson Rodrigues Sanchez, sócio-proprietário da Mania de Sorvete, está entre os mais otimistas. “A Abis fala em dobrar o consumo. Pois acho que vai triplicar”, arrisca. Não é pra menos: as vendas da marca quadruplicaram em cinco anos.

Em 2004, ultrapassaram a casa dos 30% registrados em 2003. “O brasileiro não tinha o hábito nem a facilidade que tem hoje de consumir o sorvete. A sazonalidade não é mais tão acentuada como há cinco/seis anos, quando ficávamos até 20 dias sem fabricar sorvete nos meses frios”, conta, citando que a teimosia das indústrias grandes de associar o produto ao verão retardou o desenvolvimento.

A Mania de Sorvete começou em 1988, produzindo picolés e massas, estas em baldes de 12 litros. O mix, agora, inclui picolés, caixas de 10 litros descartáveis (40 sabores), sundays, cones e potes de 250 ml, 450 ml e 2 litros (de 5 a 14 sabores). Quem puxa a fila é o pote de 450 ml, sinal de expansão do consumo em casa. Este ano, lançou o Cone, o Caçula (pote de 123 ml) com oito sabores para bombonieres e o Picolé de Mamão e de Queijo. Há 3,5 anos, a empresa saiu de uma área de 150 m² para 650 m² e, recentemente, investiu R$ 400 mil na aquisição de um equipamento italiano.

Unidade industrial da Tarumã

Igualmente em plena expansão, a Tarumã, que produz massas, investiu R$ 400 mil para dobrar a capacidade de armazenagem na fábrica em Uberlândia (500 mil litros) e investe perto de US$ 30 mil/ano em tecnologia. Sob novo comando e disposta a melhorar a qualidade, reduziu para 10 milhões de litros/ano, diminuiu a área geográfica de atuação e passou a trabalhar com distribuidor, não mais com representantes.

Outra tacada foi a entrada mais forte no segmento popular com as marcas American Ice, Schlep e Quero Mais, e a adoção de pote de um litro, que já representa 20% das vendas. Dona da marca premium Tarumã, ela tem 50% dos negócios oriundos da produção de marcas próprias para redes como Carrefour, Econ, Barateiro, Extra e Champion.

“Sou o maior fabricante de sorvetes de marca própria no Brasil”, garante Leonardo Cunha. Em picolé, nicho que responde por 5% dos negócios da Tarumã, chegam agora sabores regionais de manga, milho verde, açaí e tamarindo. E, em massas, incorporou os sabores milho verde e limão com raspas de limão.

Mais do que esquentar a demanda, empresas grandes e pequenas sabem que precisam se mexer para continuarem competitivas num mercado que já chamou a atenção de uma outra gigante, a norte-americana Dippin Dot´s. Congelado pela técnica da criogenia, seu sorvete homônimo é feito de pequenas bolinhas que só se dissolvem ao entrar em contato com a boca. Mais do que o simples prazer de degustar, o produto oferece uma experiência sensorial completa: visual diferente, consistência exclusiva que chega a fazer barulho no copo e cheiro e gosto de sorvete gelado. Criada em 1988, a norte-americana oferece 90 sabores, mas tem possibilidade de desenvolver até 500.

Sua meta de abrir uma unidade no Brasil para aproveitar a temporada 2006 e tornar o país plataforma de produção para a América do Sul foi adiada diante da instalação de fábricas no Canadá e México, que se somarão às da Coréia do Sul, Japão, Venezuela e México. “Estamos em fase de prospecção de fazendas para o fornecimento do leite”, adianta André Stamer, master franqueado para a distribuição. A base, agora, deverá estar num raio de 100 km de São Paulo, e não mais em Curitiba.

Mc Donald´s Brasil: pioneirismo na casquinha

A idéia não começou aqui, mas consolidou-se de tal forma entre os brasileiros que colocou o País na liderança de vendas e acabou ganhando o mundo. Começou há dez anos e hoje vender sorvetes em casquinha (soft) é um negócio tão importante para o McDonald´s que ultrapassa as fronteiras de suas quase 550 lojas espalhadas pelo País.

O que seria um simples complemento de refeição cresce à base de dois dígitos ao ano nos últimos cinco anos, e já representa cerca de 7% de um faturamento recorde histórico de R$ 1,9 bilhão – isso apenas a casquinha, carro-chefe de um cardápio complementar que inclui Sunday, ChocoMac (com cobertura de chocolate quente branco e escuro), saladas frescas e outras sobremesas à base de sorvete.

Do início de dezembro de 2003 a meados da primeira quinzena de janeiro de 2004, a rede vendeu perto de 23 milhões de casquinhas nos 1205 pontos-de-venda (609 quiosques, 548 restaurantes e 48 McCafé) e trabalhava com expectativa de 26 milhões na temporada 2004/2005. Ao longo do ano passado, contabilizou 123 milhões de unidades e mantém a meta de crescimento de 10% ao ano.

“Desde o início no Brasil, há 25 anos, a rede só vendia a casquinha Sunday. A demanda era tão grande que nos permitiu desenvolver os pontos avançados”, comenta Daniel Arantes, gerente de marketing do McDonald´s Brasil.

O executivo credita tal desempenho ao fato de permitir às pessoas o acesso mais fácil ao produto, colocá-lo em vias de acesso intenso, shopping center etc., mas pesam e muito a qualidade e a padronização. “Só ofereço uma casquinha se sou capaz de entregá-la igual em todos os pontos do País”, diz. Processo e formulação são desenvolvidos pela companhia, que firma parcerias com os fornecedores de matéria-prima e equipamentos e conta com fornecedor exclusivo da casquinha.

“Ao contrário do mercado, que utiliza gordura vegetal, usamos o creme de leite para a liga, que dá uma consistência diferente e sabor mais gostoso. Todos os elementos de qualidade são preocupação permanente do business de compra e suprimentos”, reforça Arantes.

Sobre gelateriarhodes

VALORES. Comprometimento com a qualidade Transparencia,repeito e honestidade Estado de espirito pro ativo Senso de equipe Auto desenvolvimento Missao. Satisfazer,fidelizar pela qualidade e inovacao em produtos,criando um ambiente agradavel e com atendimento diferenciado e,com isso, geral resultados financeiros.Propiciar o autodesenvolvimento e participar de projetos sociais. VISAO. Ser a primeira Opcao em gelaterria e cafeteria nos mercados em que atua,oferencendo de maneira permanente,novidades com qualidade superior.
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